

Em um distante lugar,quase esquecido e perdido entre altas montanhas,entre labirintos de rochas e matas,
havia um lugarejo,chamado Overt,aquele lugar parecia ter sido escolhido com capricho pela natureza,para
ser refúgio de diversas espécies de plantas e animais exóticos,descia das montanhas rios de águas límpidas
formando cascatas de águas cristalinas que reluziam de dia á luz do sol, a noite formava um mágico espetáculo de luzes refletindo as estrelas em seus lagos espelhados pelo luar.
Sentada á beira de um lago,em um dia nublado e tristonho,estava Janna,olhando com um olhar triste as
profundezas do lago,mas seus pensamentos eram também profundos,com a mente fixa em um passado não
muito distante,lembrava de sua infância,nascera naquela pequena vila,banhava-se naquelas águas desde muito pequena,,no verão sair a andar por entre trilhas daquele labirinto de rochas e matas,colhendo flores e
no inferno,muito rigoroso naquele lugar também passeava e era privilegiada pela visão da geada que congelava as águas que desciam das rochas e formavam paredões de velas de gelo.
Pensando e revivendo na memoria aos poucos,os olhos de Janna se encheram de lágrimas,que rolaram em seu rosto e caíram misturando-se as águas do lago,entre suas lembranças,sem querer,vinham as imagens como flesh em sua memoria,a imagem daqueles olhos,de um azul tão profundo quanto as águas daquele lago.
Voltando na memoria,lembrou daquele dia,era muito jovem,com treze anos de idade,em sua inocência
e ingenuidade não conhecia muita coisa do mundo lá fora.
Há sete anos atrás,ao visitar sua amiga Milene,em uma vila próxima a sua,as vezes passava alguns dias com ela,saiam a passear por trilhas e estradas desertas,onde outrora trilhavam caminhões de lenhadores,e estavas quase desertas,pois a maioria já tinha ido embora,e só restavam casas abandonadas e tomadas pela vegetação.
Naquele dia,tinham se ausentado bastante da casa de Milene,já era tarde,mas cansadas,sentaram a beira do caminho,distraídas as duas conversavam,quando ouviram o ruído de um carro que se aproximava,e acharam
estranho,pois era raro o transito de carros ali
Ao aproximar-se delas o condutor parou e oferendo carona,estranhando,Janna perguntou a amiga se os conhecia,disse que sim,que eram de confiança e que podiam aceitar a carona.Eram dois rapazes que estavam
no carro velho,o condutor era um homem simpático e sorridente,o outro estava deitado no banco de trás,
assim que o carro parou ele levantou-se e saiu para que Janna entrasse.Era um rapaz aparentando uns vinte
anos,alto,magro,cabelos loiros e olhos azuis,incrivelmente azuis!pensou Janna,ao olhar para eles,parecia a
visão de um anjo com aquela fisionomia.
Sentando-se ao lado dela,no banco de trás do carro,silencioso e misterioso,ela sentia uma sensação estranha de já ter conhecido ou sonhado com ele,sentia a energia dele como sendo o complemento da sua,podia sentir sua respiração,com os solavancos do carro na estrada cheia de buracos,em uma curva,sem
querer,com a inclinação do carro,encostou-se nele,naquele momento,olhando para ele,sentiu aqueles olhos azuis fixos nos seus,parecendo invadir sua alma,mexendo com seus sentidos,um calafrio percorreu todo seu corpo,sensações indefinidas invadiam sua mente,então,recolheu-se ao lado oposto a ele.
Ao chegarem a vila onde morava Milene,desceram e agradeceram a carona,e Janna perguntou á amiga quem eram eles,e ela respondeu que eram filhos de um rico madeireiro da região,então Janna perguntou como se chamava o rapaz que viajara a seu lado e a miga respondeu que se chamava Mateus,falou que não tinha muita convivência com eles,mas os conhecia desde a infância.
Desde aquele dia, Janna,sentia-se diferente,passando suas horas a vagar pelos seus sentimentos,revivendo
na memória o instante que seu olhos se cruzaram com os daquele estranho,sentia ainda o calor de seu corpo,
em seus sonhos de menina,deu asas á sua imaginação,imaginando mil maneiras de poder estar ao lado dele,por mais uma vez e chorava ao saber da distância que os separava,sua idade,sua vida era simples e muito
distante da dele.
Voltou várias vezes á casa de sua amiga,mas não o tinha visto,nem falado com sua amiga de seus sentimentos,até um dia que acordou com uma estranha sensação,estava na casa dela ainda,levantou-se bem
cedo e olhando pela janela viu ao longe,uns caminhões carregados com mudanças,perguntou amiga quem eram e ela disse que era da família dos rapazes que haviam pegado carona a um ano atrás,que estavam indo embora para um lugar bem distante dali,assim como outras famílias já não havia mais trabalho ali e partiram
todas em busca de trabalho em grandes cidades.
Janna sentiu um nó apertar sua garganta e uma lágrima rolar em seu rosto ao observar seu sonho se afastando e sumindo ao longo da estrada,sentindo o impacto do cruel destino,sentindo seu coração se partindo em pedaços,pela primeira vez sentiu um vazio enorme tomar conta de seus sentidos e chorou sem querer,e sua amiga percebendo o que estava acontecendo com ela,tentou conforta-la dizendo que a vida da muitas voltas e quando o destino é traçado temos que saber aceitar para não sofrer com ilusões que mais tarde pode ser transformados em quadro negro em nossa memória repetindo a mesma história.
Ainda com a voz de sua amiga ressoando em sua memória,lembrava daquela amiga que também já havia embora á muito tempo dali,então J
anna voltado sua mente para a realidade,lembrou-se o que tinha vindo fazer ali no lago,estava com vinte anos,e estava ali para se despedir de seu lago favorito,porque chegara a hora dela também ir embora dali,iria com sua família para uma cidade grande,muito distante dali,levantando-se começou a andar devagar,escutando o eco de seus passos pela vila deserta que parecia uma cidade fantasma,já que quase todos os moradores tinham ido embora,com sensação de desolação e tristeza ela atravessou a vila e subindo no ônibus deu uma ultima olhada para trás e fechando os olhos e com o coração amargurado:partiu
Tudo era diferente para Janna,parecia ter entrado em outra era,vendo o progresso e teve que se adaptar
com o ruído da cidade grande,com seus prédios e indústrias e também conviver com vários tipos de gente,mas tudo bem,era daquela agitação que precisava para afastar de sua memória certas lembranças de seu passado e começar a adaptar-se em um mundo bem diferente do qual tinha vivido sua infância e parte da juventude.
Sete anos haviam se passado desde que Janna de sua cidade natal e sua vida tinha mudado muito deste então,mas o passado se repetia cada vez que se apaixonava por alguém,a história se repetia como castigo para ela,acabava sofrendo,porque iam embora seus namorados e a fazendo relembrar de seu primeiro amor,do tanto que sofrera por isso,aqueles olhos azuis jamais tinham saído de sua memória,estava adormecido,mas ali.
O destino muitas vezes nos prega peças jamais imaginadas,faz de nós como sendo folhas soltas a sorte do vento muitas vezes nos ventos da tempestade e nos põe de volta á brisa suave quando menos esperamos.
Janna havia vencido em sua vida material,estudara muito,e trabalhava em uma grande empresa,como era uma pessoa cativante,sempre tinha muitos amigos onde trabalhava,saia com eles para se divertir nos finais de semana,em um desses,fora convidada para a festa de aniversário de sua jovem amiga Aline,a amizade delas fluiu naturalmente desde que se conheceram algum tempo atrás,e Aline havia dito que era órfã de mãe e morava em uma chacara perto da cidade e seu pai a contragosto tinha permitido que trabalhasse longe de casa.
Era em direção á casa da amiga que Janna ia,naquela tarde de verão,fazia muito calor naquele dia,e ela vestiu-se com seu vestido azul,suave e leve,no caminho que levava á casa da amiga,ela olhou pelo retrovisor de seu carro e via a cidade desaparecer aos poucos de sua visão mudando a paisagem a medida que se afastava deixando para trás os ruídos da grande cidade ela via agora vastos campos verdejantes,não conhecia aquele caminho,havia sido convidada pela amiga,mas não tinha tido oportunidade de ir visita-la antes,e como era o aniversario dela não podia recusar em ir,mas seguindo as orientações anteriores da amiga
ela enfim estava chegando,sentindo o ar mais puro,respirou fundo quando estacionou seu carro em frente a casa de Aline,havia um enorme jardim na entrada da casa e Janna pensou:afinal,um oásis em meio ao deserto!
havia um enorme lago com fontes de águas cristalinas rodeado com muitas flores de várias espécies e bancos
de jardim brancos trabalhado em arabescos,e uma pequena ponte que dava acesso a porta principal da casa
com corrimões como os bancos todos brancos parecendo um lugar de contos de fadas de tão lindo.
Janna estava na metade da travessia da ponte quando e olhando para frente,viu alguém sair pela porta principal,era um homem que olhava em sua direção,era alto,cabelos grisalhos,e muito atraente,mas era desconhecido para ela,pensou,pois não o tinha visto em suas saídas com os amigos e continuou a travessia da ponte,o homem veio até a beira do lago e parou no final da ponte com os braços apoiados no corrimão olhando para ela,mas ela lentamente atravessou a ponte sem prestar muita atenção a ele,e ao chegar no final ela levantou os olhos e então viu,paralisada,um par de olhos incrivelmente azul,fixos nela,e o chão parecia ter sumido debaixo de seus pés,ela não pode conter o espanto,reconheceu de imediato,aquele olhar,mais velho e muito mais atraente do que tinha na lembrança,apenas estava adormecido dentro dela e jamais esquecido,aquela sensação sentida há muitos anos atrás vinha a tona como um raio fulminando e entorpecendo seus sentidos,então ele estendendo sua mão á ela disse:Nossa!pensei que estava vendo uma miragem,ao ver você se aproximar,parecendo um anjo com esse vestido,e sorrindo a apoiou para descer o ultimo degrau da ponte,nisso Aline surgiu na porta, e chamou por ela,e vindo á seu encontro dizendo para o homem de olhos azuis:então já conheceu minha amiga,antes que eu pudesse apresenta-la,papai,e beijando o rosto dele,sem perceber a perturbação de Janna,a conduziu ao interior da casa onde já estavam reunidos os outros convidados,ainda perplexa,Janna tentava disfarçar o termor de suas pernas e as batidas de seu coração turbulento,enturmou-se com os convidados e notara que sua amiga tinha preparado com gosto sua festa,pois estava tudo perfeito,luzes coloridas,bebidas naturais e flores por toda parte,mas ela percebia tudo isso,mas sua mente fixa em Mateus,que ficara horas atrás no lago,já havia passado algumas horas e não o vira mais,em seus pensamentos giravam lembrando o passado e tentando entender a realidade,pensava que devia ter sonhado,ou tido uma ilusão,depois de tantos anos,encontrar com ele ali!jamais podia imaginar isso!e foi para uma janela e olhando a escuridão lá fora,nem percebeu que o ritmo da música mudou,e uma melodia suave invadiu o ambiente atrás de si,e sobressaltou-se ao sentir uma mão de homem tocar em seu ombro,voltou-se,e ali estava ele,com um sorriso no rosto ele pegou sua mão e a conduziu para junto dos outros que estavam dançando,perecendo estar vivendo em um sonho,ela sentiu aquele corpo e os braços fortes a envolve-la,sentindo seu coração vibrar,aconchegando-se naquele abraço,se era sonho,delírio ou real,ela não queria acordar,queria eternizar aquele momento,então ele,com carinho,segurou seu rosto entre suas mãos e disse:Você,hoje,está bem diferente daquela menina assustada que dei carona a beira de uma estrada deserta,está ainda mais linda,minha pequena,jamais esqueci de você,apesar dos anos que passaram,eu jamais a esqueci,esteve e estará para sempre em meu coração,o mesmo destino que me trouxe você naquele dia,e nos levou para longe um do outro é o mesmo que hoje nos une,dizendo isso,aproximou seu lábios dos dela e a beijou,ela,entregou-se naqueles braços e no calor daquele beijo,daquele corpo tão desejado...tão sonhado...por tanto tempo...A canção romântica os envolveu e os embalou com seu ritmo suave,até ele segurar sua mão e a conduzir para fora,lá no jardim,á beira do lago,refletindo as estrelas,o amor,vencendo as barreiras do tempo,o limite do espaço,se fez naquela noite iluminado pelas estrelas e o luar,pois a vida é cheia de labirintos,como aquele recanto esquecido,que hoje repousa no silêncio,entre os vales e ruínas,que um dia foi abrigo de dois seres,que tinham suas vidas marcadas,ali em um encontro prematuro,mas agora amadurecidos puderam desfrutar todo encanto e magia do amor e ser testemunhado por muitos e muitos anos iluminados pelo verdadeiro céu,por um amor que o tempo não apagou e que se estende por toda eternidade.
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autora:Maria Rosaria m.de Souza
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"AS MUITAS ÁGUAS NÃO PODERÃO AFOGAR O QUE DEUS UNIU NÃO VAI ACABAR!"